Empresas de água devem “alargar gestão” e integrar redes de águas pluviais e praias

EIP WATER

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Porto, 27 set (Lusa) – As empresas de água devem ambicionar “alargar a sua gestão e integrar as redes de águas pluviais, linhas de água e praias”, afirmou o diretor de sistemas de informação e inovação na empresa Águas do Porto, Pedro Vieira.

O engenheiro falava à Lusa à margem da quarta edição da conferência internacional “EIP Water Conference 2017”, promovida pela Parceria Europeia de Inovação para a Água (EIPWater), que decorre entre hoje e sexta-feira, na Alfândega do Porto, e onde são debatidas questões relacionadas com a água e a inovação, nomeadamente nas áreas da agricultura, indústria e cidades.

“Tipicamente, estas empresas estão vocacionadas para a gestão da água e saneamento, no entanto, creio que faz cada vez mais sentido que alarguem os seus serviços à gestão integrada do ciclo urbano da água”, disse Pedro Vieira, que é também um dos organizadores da “EIP Water Conference 2017”.

Atualmente “é relevante pensar numa gestão global da água”, considerando a parte de abastecimento e do saneamento mas também a valorização ambiental que contribui “ativamente para a melhoria com a qualidade de vida das pessoas”, nomeadamente através da reabilitação das frentes ribeirinhas e orla costeira, reforçou.

O setor da água “é muito clássico” e a inovação tendencialmente faz-se “muito lentamente porque as empresas têm uma estrutura muito pesada, num setor altamente regulado, tendo em conta a criticidade dos serviços que estas prestam”, referiu.

Tratando-se de serviços essenciais para os cidadãos, continuou, todas a inovações que se têm implementado tardam em surtir efeito.

“Do ponto de vista regulamentar, está a ser exigido às entidades que operam no setor da água, para que se tornem mais eficientes e que prestem serviços de qualidade aos seus clientes, o que faz todo o sentido, colocando uma série de desafios e oportunidades”, acrescentou.

Por outro lado, assiste-se a uma interferência muito grande da aceleração da tecnologia e do impacto que esta hoje tem no setor, fomentando o aparecimento de novos serviços e formas de gestão da água.

Os desafios criados pelas alterações climáticas e as relações entre os comunidades e as empresas são outros dois factores apontados pelo engenheiro como principais no avanço da tecnologia nesta área.

A “EIP Water Conference 2017” faz parte do “Porto Water Innovation Week”, um evento que começou no domingo e se prolonga até sexta-feira, com o lema “A inovação no setor da água: colmatar as lacunas, criar oportunidades”, contando com 1200 participantes de 60 países, 80 oradores e 118 empresas expositoras.

Do evento fazem ainda parte a conferência “Mayors & Water Conference 2017”, no dia 29, focada na Agenda Urbana para a Água 2030 (AUA2030) e na demonstração de casos de estudo sobre soluções sustentáveis e inovadoras para a gestão da água nas cidades.

Durante essa sessão, será assinada a Declaração do Porto para a AUA2030, em que os decisores políticos comprometem-se a apoiar o processo de cooperação entre as cidades e a Comissão Europeia no desenvolvimento da referida agenda.

O “Water Innovation Lab Europe Porto 2017”, com atividades laboratoriais para os jovens dos 18 aos 35 anos, e o festival da água Aquaporto 2017, que decorre na sexta-feira e no sábado, são outras componentes deste evento.

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