Investigadora recebe prémio por trabalho sobre tecnologia de captação de imagem

A investigadora brasileira Caroline Conti recebe hoje o Prémio Científico IBM 2016, pelo trabalho sobre soluções eficientes para codificar o campo de luz, tecnologia mais avançada de captação de imagem com aplicação no cinema ou na realidade virtual.

A distinção, promovida pela IBM Portugal, tem o valor de 15 mil euros e é entregue no ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa, onde a premiada é professora auxiliar convidada, numa cerimónia presidida pelo ministro da Ciência, Tecnologia e do Ensino Superior, Manuel Heitor.

O prémio, organizado pela empresa informática desde 1990, é atribuído pela segunda vez a uma mulher (a primeira foi em 2010).

Caroline Conti realizou a sua investigação enquanto bolseira de doutoramento da Fundação para a Ciência e Tecnologia e à Lusa explicou que procurou melhorar a técnica de compressão de informação de uma imagem plana, a que se vê habitualmente numa televisão, e adaptá-la ao campo de luz, uma “tecnologia mais avançada” de captação de imagem que “possibilita várias funcionalidades” e que, por isso, gera muito mais informação, incluindo a redundante, que é preciso triar para tornar o seu uso eficiente.

A investigadora do Instituto de Telecomunicações adiantou que, com esta tecnologia, “o foco, a profundidade de campo e a perspetiva podem ser ajustados”.

O campo de luz, segundo Caroline Conti, permite obter a imagem de uma sala de várias perspetivas e processa uma quantidade de informação mil vezes superior à da tecnologia 4K – Ultra HD.

A sua aplicação, adiantou, é múltipla, desde cinema, fotografia até à produção de realidade virtual e aumentada.

No cinema, por exemplo, área para a qual está ser desenvolvida uma câmara com esta tecnologia, todos os espetadores têm a mesma perspetiva de uma cena de um filme em 3D, ao passo que, com o campo de luz, cada pessoa vê a mesma cena numa perspetiva diferente, dependendo do lugar onde está sentada, descreveu a especialista em processamento de dados multimédia.

“Há muitas empresas a investirem neste domínio”, assinalou, ressalvando que o campo de luz é uma tecnologia cara e que, para ser manobrada, exige ferramentas da micrótica, nomeadamente sensores de alta resolução, que ainda são incipientes.

O Prémio Científico IBM visa distinguir “trabalhos de elevado mérito científico no campo da computação teórica e aplicada”, de acordo com o regulamento.

Ao galardão podem concorrer investigadores portugueses ou estrangeiros residentes em Portugal com menos de 36 anos.

O júri da edição 2016 foi liderado pelo presidente do Instituto de Telecomunicações, Carlos Salema.

Os jurados – cientistas e um representante da IBM Portugal – só conhecem a identidade verdadeira do vencedor depois de avaliarem os trabalhos a concurso, esclareceu à Lusa Carlos Salema, que preside à instituição onde a premiada realizou a sua investigação.

Na cerimónia de entrega do prémio haverá uma palestra sobre inteligência artificial e o futuro da computação pelo investigador Costas Bekas, do laboratório da IBM de Zurique, na Suíça.


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