Inteligência Artificial “é um benefício” e interação “será gradual”- afirma investigadora

A investigadora da universidade norte-americana Carnegie Mellon Manuela Veloso considerou, em declarações à Lusa, que a inteligência artificial “é um benefício” e que o processo de interação entre humanos e máquinas será “gradual”.

Manuela Veloso, que é investigadora de topo na área da inteligência artificial e cofundadora da RoboCup, participa hoje na 2.ª edição do Business Transformation Summit, no Centro de Congressos do Lagoas Park, em Oeiras (Lisboa), onde aborda o tema “Human IA Interaction – Como a interação com a inteligência artificial vai impactar o futuro”.

“Acho que a inteligência artificial é um benefício”, pois “cada vez mais os computadores têm acesso a dados que as pessoas criam na Internet, permitindo o processamento de dados e ser um suporte à decisão humana”, afirmou a investigadora portuguesa.

A inteligência artificial “já existe” e para isso basta ver a forma como as pessoas funcionam, sem se aperceberem disso, disse, dando o exemplo de como hoje as pessoas prescindem dos mapas físicos para utilizar o GPS ou o Google Maps, por exemplo, para se deslocarem.

Manuela Veloso desvalorizou os receios que existem sobre o impacto da inteligência artificial: “Acredito muito mais na capacidade humana, das pessoas se adaptarem e usarem a tecnologia para o bem da sociedade”.

Para a investigadora, vai ser “um processo gradual, as pessoas vão habituar-se a usar esta ferramenta fantástica que lhes permitirá tomar decisões”.

Trata-se de “uma aprendizagem da coexistência entre os humanos e as máquinas”, prosseguiu, recordando que “toda a tecnologia requer mudança de hábitos”, só que no caso da inteligência artificial “é mais a nível cognitivo”.

A investigadora dá o exemplo da eletricidade, cujo surgimento não serviu apenas para “acender a lâmpada da sala”, mas abriu uma série de potencialidades até aos dias de hoje, onde os automóveis elétricos passaram a ter lugar.

“Esta é a quarta revolução industrial”, sublinhou, salientando que as máquinas “têm imensa capacidade de fazer muitas inferências inteligentes” de padrões com base nos dados disponíveis.

“São uma ferramenta potente em si, mas não têm intenção”, acrescentou.

Manuela Veloso trabalha na área dos robôs móveis que circulam dentro de edifícios e têm a capacidade de transportar objetos, guiar pessoas.

“Trata-se de mobilidade dentro dos edifícios”, o que é mais complexo já que não há GPS e os robôs têm de ‘reconhecer’ as paredes, onde estão, pelo que é necessário criar mapas dos sítios onde estão, através das plantas dos edifícios.

“Estes robôs não fazem apenas processamento de informação digital [como acontece com aplicações na Internet], mas também têm informação sobre o espaço físico”, permitindo a sua navegação.

“Esta é uma inteligência artificial móvel”, disse.

Questionada sobre se os robôs com inteligência artificial não poderão substituir trabalhadores em determinadas tarefas, a investigadora considerou que “eventualmente substituirão”.

No entanto, “também se espera que as pessoas fiquem mais interessadas noutros trabalhos” ou criem outras áreas de atividade.

Manuela Veloso apontou o potencial de um robô que saiba de medicina e trabalhe em cooperação com um médico: num caso complexo, a máquina terá a capacidade de procurar no mundo todos os casos semelhantes e apresentá-los ao clínico num curto espaço de tempo, servindo de apoio.

Fonte: Lusa


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